Aprenda a planejar e montar um CRM simples: escolha a abordagem certa, defina campos e estágios do pipeline, configure tarefas e relatórios, e lance rapidamente.

Um “CRM” não é uma única coisa — é o sistema que sua equipe usa para evitar que relacionamentos com clientes se percam. Antes de escolher ferramentas ou projetar campos, fique claro sobre os trabalhos que seu CRM precisa fazer no dia a dia.
Para algumas equipes, CRM = acompanhamento de vendas. Para outras, também inclui onboarding, solicitações de suporte, renovações ou gestão de parceiros. Decida para qual (ou quais) desses você está construindo neste momento.
Uma forma rápida de enquadrar:
Nosso CRM é o lugar onde registramos com quem estamos falando, por que estamos falando com essa pessoa e o que acontece a seguir.
Anote as irritações reais que custam tempo ou receita. Exemplos:
Se um problema não acontece semanalmente, provavelmente não faz parte da sua primeira versão.
Comece pelos fluxos “essenciais” que acontecem repetidamente. Itens desejáveis (automação complexa, pontuação sofisticada, objetos customizados) podem esperar até você comprovar adoção.
Um teste útil: se você removesse uma função, alguém ainda usaria o CRM todo dia? Se sim, não é essencial.
Liste os papéis (fundador, representante de vendas, suporte, operações) e com que frequência cada um usará o CRM. Um sistema feito para representantes que atualizam diariamente deve ser bem diferente de um que um fundador atualiza semanalmente.
Escolha 2–3 resultados mensuráveis para saber que o CRM está funcionando, por exemplo:
Esses objetivos guiarão todas as decisões posteriores — especialmente o que você não deve construir.
Seu “CRM” é apenas um sistema para rastrear clientes, negócios e follow-ups. A melhor abordagem é a que sua equipe vai manter semana após semana.
Uma planilha basta quando você tem uma equipe bem pequena (1–3 pessoas), baixo volume de negócios e um processo simples (um pipeline, poucos próximos passos).
Tempo para lançar: 1–3 horas.
Manutenção contínua: manual. Você gastará tempo copiando notas, procurando a versão mais recente e corrigindo dados inconsistentes.
Use isso se precisar de um MVP de CRM e puder viver sem lembretes, permissões ou histórico de atividades.
No-code costuma ser o ponto ideal para um CRM para pequena empresa ou CRM para startup: fornece formulários, visualizações, filtros, dashboards básicos, automações e uma UI utilizável sem tempo de engenharia.
Tempo para lançar: 1–3 dias para uma primeira versão limpa.
Manutenção contínua: moderada. Alguém precisa “ser dono” do sistema — ajustar campos, melhorar automações e manter templates organizados.
Escolha isso se quiser ganhos rápidos como follow-ups automáticos, atribuição de responsáveis e entrada de dados consistente.
Construa custom quando seu fluxo for realmente único, você precisar de integrações profundas, ou propriedade e desempenho de dados forem críticos. Também é a escolha certa se o “CRM” for parte do seu produto ou operações.
Tempo para lançar: 2–8+ semanas, dependendo do escopo.
Manutenção contínua: tempo de engenharia para bugs, hospedagem, atualizações de segurança e pedidos de novas funcionalidades.
Se você quer controle sem um ciclo de build tradicional, uma plataforma de vibe-coding como o Koder.ai pode ser um caminho intermediário prático: você descreve o fluxo em chat, itera rápido e depois exporta o código-fonte ou faz deploy/host da app. Isso é útil quando seu CRM precisa de algumas telas e regras customizadas (estágios do pipeline, tarefas, permissões), mas você não quer superengenheirar a primeira versão.
Se estiver em dúvida, comece com no-code, mantenha o modelo de dados simples e só vá para custom quando conseguir nomear exatamente as limitações que estão custando tempo ou receita.
Um “modelo de dados” é só o conjunto de coisas que seu CRM rastreia e como elas se conectam. Quanto menor e mais claro, maior a probabilidade de sua equipe mantê-lo atualizado.
Escolha os poucos objetos que vão conter quase tudo que você precisa:
Se estiver construindo um CRM simples, esses três geralmente cobrem 80–90% do que uma pequena empresa precisa.
Objetos opcionais ajudam, mas também multiplicam entrada de dados. Adicione-os quando souber como vai usá-los toda semana:
Se estiver em dúvida, comece com Negócios + Tarefas e guarde o resto em Notas. Depois você pode separar Notas em Atividades.
Use relacionamentos que combinem com a vida real e sejam consistentes:
Decida se um Negócio deve obrigatoriamente estar vinculado a uma Empresa e a um Contato principal. Tornar esses vínculos obrigatórios evita “negócios órfãos” que ninguém consegue acompanhar.
Cada campo extra reduz a adoção. Uma primeira configuração prática:
Seja rigoroso sobre o que é obrigatório. Uma boa regra: exigir apenas o que é necessário para tomar a próxima ação ou para fazer previsão.
Se um campo não é usado em sua revisão semanal ou processo de follow-up, provavelmente não deveria ser obrigatório (ou nem estar presente) na primeira versão do CRM.
Um CRM simples vive ou morre pelo pipeline. Se os estágios forem vagos, as pessoas “movem as coisas para frente” só para parecer ocupadas — aí previsões e follow-ups ficam inúteis.
Comece com um pipeline que você consiga explicar em uma frase. Para muitas pequenas equipes, isso basta:
Se precisar de um passo extra, adicione-o somente quando ele mudar o que alguém faz a seguir (por exemplo Reunião agendada ou Negociação). Mais estágios normalmente geram mais discussões, não mais clareza.
Para cada estágio, escreva uma definição de uma linha baseada em fatos observáveis, não em sensações:
Coloque essas definições no próprio CRM (por exemplo, como texto de ajuda) para que ninguém precise procurar um doc.
Todo negócio em Lead / Qualificado / Proposta deve ter um claro Próximo passo e uma Data de vencimento (ligar, demo, enviar orçamento revisado etc.). Isso evita a “podridão do pipeline”, onde oportunidades ficam paradas.
Uma regra simples: se não há próximo passo, o negócio não pode ser real.
Quando um negócio for para Perdido, obrigue um campo Motivo de perda com um dropdown curto, por exemplo:
Isso transforma seu pipeline em uma ferramenta de aprendizado, não apenas um cemitério.
Defina guardrails leves:
Essas regras mantêm dados consistentes sem transformar o CRM em burocracia.
Um CRM simples funciona quando é rápido de atualizar. Cada campo extra é mais um motivo para alguém não registrar a ligação, não atualizar o negócio e seus dados ficarem obsoletos. Comece pelo que você precisa para follow-ups e previsão de receita — e só adicione mais depois de merecer.
Campos de texto livre criam dez versões da mesma coisa (“LinkedIn”, “linkedin”, “LI”, “Linked In”). Para qualquer coisa que você queira reportar depois, use dropdowns padrão, especialmente:
Mantenha a lista curta e revisada por um responsável. Se alguém precisar de uma nova opção, adicione-a intencionalmente — não de forma aleatória.
Tags são ótimas para agrupamentos leves (por exemplo, “parceiro”, “renovação”, “urgente”), mas ficam bagunçadas rápido. Limite-se a um conjunto pequeno e acordado, e evite usar tags como substituto de um campo que você quer realmente reportar.
Uma boa regra: se não consegue explicar como um campo muda uma decisão ou fluxo, não o adicione ainda.
Um CRM simples só funciona se ele te lembrar de fazer a próxima coisa útil. Isso significa que todo negócio e contato deve ter uma “próxima ação” com data, além de um histórico leve de atividades para ver rapidamente o que já aconteceu.
Decida o que conta como interação e mantenha a lista enxuta: chamadas, reuniões, emails, demos. Para cada atividade, capture apenas o contexto suficiente para que o “você do futuro” retome o fio em 10 segundos.
Um mínimo prático:
Se estiver em planilha ou no-code, use padrões (por exemplo, tipo de atividade = “Email”, duração = 30 minutos) e formulários curtos (um quick add, não uma página longa). O objetivo é consistência, não documentação perfeita.
Negócios estagnados geralmente param porque ninguém possui o próximo passo. Faça uma regra: se um negócio está em estágio ativo, ele deve ter:
Isso transforma o CRM em um sistema operacional, não um banco de dados estático.
Você não precisa de automações complexas para começar. Uma única visualização/filtro como “Tarefas atrasadas” mais “Vencendo hoje” é suficiente.
Configure lembretes para responder a uma pergunta todas as manhãs: O que preciso fazer hoje para mover negócios adiante? Se a ferramenta suportar, envie um email/notification diário. Se não, fixe a visualização “Atrasadas” como sua homepage.
Templates evitam a síndrome da página em branco e tornam o registro de atividades mais rápido.
Experimente dois templates simples:
Mantenha os templates curtos. Se as pessoas sentirem que estão “preenchendo formulários”, elas param de registrar.
Se levar mais de um minuto para registrar uma interação e definir o próximo passo, não vai acontecer. Otimize para entrada rápida e depois melhore: menos campos obrigatórios, padrões sensatos e o caminho mais curto possível de “terminou a chamada” a “tarefa criada”.
Seu CRM só parece “real” quando as pessoas conseguem responder rapidamente perguntas do dia a dia: Quem devo contatar em seguida? O que está preso? O que fecha em breve? As telas principais ajudam nisso — sem precisar construir um app complexo.
As listas devem ser rápidas de escanear, fáceis de ordenar e utilizáveis desde o primeiro dia. Crie um conjunto pequeno que combine com o jeito da sua equipe:
Mantenha cada lista com ~6–10 colunas. Tudo que força scroll horizontal geralmente não é usado.
Adicione uma busca única e proeminente que encontre registros mesmo quando alguém lembra só de parte dos detalhes. No mínimo, suporte busca por:
Se estiver em planilha ou no-code, isso pode ser uma caixa global de busca ou uma visualização “Find”. O objetivo: digitar um fragmento e encontrar o registro certo.
Filtros transformam uma lista longa em uma “lista de hoje”. Foque em filtros que motivem ação:
Se adicionar filtros de data, defina-os claramente (por exemplo, “último contato” = última chamada/email/reunião registrada).
Dashboards devem responder “o que precisa de atenção?” mais que “o que fica bonito?”. Um conjunto básico:
Mesmo um CSV simples importa para backups, compartilhamento com parceiros ou análise rápida. Facilite exportar listas com os filtros aplicados para que as pessoas possam pegar exatamente o que precisam.
Se estiver construindo um CRM custom leve (por exemplo no Koder.ai), trate a exportação como recurso de primeira classe cedo — seu eu futuro vai agradecer quando precisar de backups, migração ou uma auditoria rápida de dados.
Integrações são onde projetos de “CRM simples” silenciosamente ficam complexos. O objetivo não é conectar tudo — é decidir quais dados realmente precisam fluir e manter isso previsível.
Comece listando as ferramentas que já têm dados de clientes: formulários do site, caixa de email, calendário e ferramenta de faturamento. Para cada uma, escreva um propósito curto como: “Formulário web cria um novo lead” ou “Ferramenta de faturamento atualiza status do cliente”. Se não souber explicar o propósito, pule a integração por enquanto.
As primeiras vitórias mais seguras são:
Evite sincronização bidirecional no começo, especialmente com email e faturamento. Fluxos unidirecionais reduzem sobrescritas acidentais e conflitos de dados.
Escolha um identificador primário por tipo de registro. Para contatos, endereço de email costuma ser o ID único mais simples. Se você vende para caixas compartilhadas (por ex., sales@), considere adicionar um segundo identificador como telefone ou um campo “Contact ID”.
Duplicatas vão ocorrer. Defina regras básicas como:
Defina uma cadência (por exemplo, semanal) para revisar a lista de “possíveis duplicados”.
Mantenha um pequeno “mapa de dados” nas notas do CRM ou em um doc: qual sistema envia dados, quais campos mapeiam para onde e qual sistema é a fonte da verdade. Isso evita deriva silenciosa quando a equipe adiciona ferramentas no futuro.
Um CRM simples ainda guarda informações sensíveis: contatos de clientes, valores de negócios e notas sobre conversas. Se você não definir permissões e regras de privacidade básicas cedo, vai acabar bloqueando a equipe ou expondo dados indevidamente.
A maioria das equipes pequenas precisa de apenas três papéis:
Evite criar muitas variações de papéis (“Gerente de Vendas Norte”, “Estagiário de Vendas” etc.) até que haja necessidade real. Complexidade normalmente quebra seu MVP de CRM.
Decida desde o início:
Documente essas regras numa página curta interna para que não vivam só na memória de alguém.
Mesmo usando uma planilha ou um CRM no-code, aplique alguns itens não negociáveis:
Mantenha simples e explícito:
Backups importam mesmo para um “CRM simples”. Defina cadência e local:
Faça um teste rápido de restauração uma vez — backups só valem se puderem ser usados.
Um CRM simples só funciona se os dados dentro dele forem confiáveis. O objetivo da importação não é a perfeição — é conseguir uma base limpa que você consiga manter.
Exporte seus dados atuais de onde quer que estejam (planilhas, ferramentas de email, apps de faturamento, calendários). Use uma única exportação como “fonte de verdade” por dataset quando possível.
Antes de importar, faça uma limpeza rápida:
Crie uma planilha de mapeamento simples: nome da coluna atual → campo do CRM. É aqui que você normaliza valores tipo dropdown para que o reporting não vire caos.
Exemplos:
Se uma coluna não suportar claramente uma decisão ou fluxo, pule-a por enquanto. Você pode adicionar depois.
Importar em blocos reduz erros e faz os relacionamentos linkarem corretamente:
Faça uma importação de teste pequena (por ex., 20–50 registros) e verifique:
Após a importação completa, faça um sprint curto de limpeza com uma checklist:
Uma vez que a base esteja limpa, aplique uma regra simples: novos dados devem atender aos mesmos padrões — caso contrário, não entram.
Um CRM simples só funciona se sua equipe o usar do mesmo jeito, toda semana. O objetivo do rollout não é “treinamento” — é criar hábitos leves e remover atritos para que atualizar o CRM seja parte do trabalho, não uma tarefa administrativa extra.
Mantenha curto o suficiente para ser lido em dois minutos. Inclua:
Essa página vira sua fonte única de verdade. Se a equipe debater processos depois, atualize a página — não invente regras no Slack.
Duas rotinas costumam cobrir 80% do sucesso:
Liderança deve conduzir a revisão do pipeline usando a visualização/dashboard do CRM, não uma planilha separada.
Evite métricas de vaidade como “número de logins”. Monitore sinais vinculados à execução de vendas:
Se esses melhorarem, o CRM está ajudando.
Após 1–2 semanas, pergunte: “Qual é o campo/tela que mais te irrita?” Então corrija os 1–2 principais problemas rápido (renomear campos, ajustar estágios, simplificar entradas obrigatórias).
Não expanda seu MVP enquanto os hábitos estiverem fracos. Quando a equipe mantiver próximos passos atualizados e as revisões do pipeline acontecerem, aí sim considere adições como gestão de clientes mais detalhada, integrações ou relatórios (veja /blog/reports-that-help-you-decide).
Um CRM simples não precisa de análise sofisticada — precisa de alguns relatórios que você realmente vai usar para decidir o que fazer a seguir. Comece concordando em um pequeno conjunto de métricas e definições, depois faça relatórios que respondam perguntas reais.
Escolha um punhado que reflita saúde de vendas, não vaidade:
Relatórios bons apontam para uma ação:
Se a equipe não confiar nos números, não vai usar. Escreva regras simples dentro do CRM (um pequeno texto de ajuda basta):
Marque uma revisão de 30 minutos por mês para:
Vincule os relatórios a próximos passos: melhore fontes de leads, corrija definições de estágio e treine a equipe para atualizações consistentes, assim o CRM continua preciso — e útil.