04 de jul. de 2025·8 min
Como decidir se uma ideia vale a pena construir antes de construí-la
Um framework prático para testar demanda, viabilidade e ROI antes de construir. Aprenda experimentos rápidos, perguntas para entrevistas e critérios claros de go/no-go.
Defina “Vale a pena construir” e a decisão que você precisa
Antes de avaliar uma ideia, decida o que “vale a pena construir” significa para você. Caso contrário, você vai reunir fatos que não ajudam a escolher.
O que “vale a pena construir” pode significar (escolha 1–2 principais)
Times diferentes usam a mesma expressão para significar resultados bem distintos:
- Impacto: Reduz de forma significativa um problema doloroso, economiza tempo ou melhora resultados para os usuários?
- Receita: Pode se tornar um produto pago razoavelmente ou impulsionar vendas de outra coisa?
- Aprendizado: Vai testar uma suposição de alto risco que desbloqueia várias apostas futuras?
- Ajuste com a missão: Fortalece aquilo pelo qual sua empresa (ou você) quer ser conhecida?
Escreva sua definição de sucesso em uma frase (exemplo: “Vale a pena construir significa que conseguimos 20 clientes pagantes a R$49/mês em até 90 dias após o lançamento”).
Separe entusiasmo de evidência
Entusiasmo é útil — cria impulso — mas não é prova. Separe seu pensamento em duas colunas:
- O que sabemos: observações diretas, pedidos existentes de clientes, comportamento mensurável.
- O que assumimos: crenças sobre disposição a pagar, urgência, frequência de uso, velocidade de adoção.
Seu objetivo não é eliminar suposições; é identificar quais podem matar a ideia se estiverem erradas.
Defina a decisão que você está tomando agora
Raramente você decide “construir ou não” no dia um. Seja específico:
- Explorar: coletar sinais e afiar o problema.
- Prototipar: testar usabilidade e desejabilidade rapidamente.
- Construir (MVP): comprometer engenharia para lançar.
- Pausar: parar de investir até que apareça um gatilho.
Defina um timebox de validação e orçamento
Para evitar pesquisa infinita, estabeleça limites desde o início (ex.: “10 entrevistas + 2 experimentos em 14 dias, no máximo R$300”). Se a ideia não consegue gerar convicção dentro de restrições razoáveis, isso também é um sinal.
Comece pelo problema, não pela solução
A maioria das ideias parece empolgante porque a solução é vívida: um app, um recurso, um fluxo de trabalho, um novo serviço. Mas “vale a pena construir” começa mais cedo — no nível do problema. Se o problema estiver vago, você vai acabar validando opiniões sobre o conceito em vez de verificar demanda real.
Escreva uma declaração de problema em uma frase
Uma boa declaração de problema é específica, humana e observável. Use este template:
“[Quem] tem dificuldade para [fazer o quê] por causa de [restrição/causa], o que resulta em [impacto].”
Exemplo: “Donos de pequenas agências têm dificuldade para cobrar faturas atrasadas porque os lembretes são constrangedores e tomam muito tempo, o que resulta em gaps de fluxo de caixa.”
Se você não consegue escrever isso em uma frase, provavelmente tem múltiplos problemas misturados. Escolha um.
Documente a solução improvisada atual
Todo problema real já tem uma “solução”, mesmo que seja improvisada. Escreva o que as pessoas fazem hoje:
- Processo manual (planilhas, lembretes no calendário, copiar e colar templates)
- Um amontoado de ferramentas (email + CRM + notas)
- Contratar ajuda (assistentes, freelancers)
- Ignorar (aceitar a perda ou o atraso)
As soluções improvisadas são evidência de motivação — e ajudam a identificar o que as pessoas estão dispostas a trocar.
Nomeie o que dói (em termos simples)
Esclareça a dor categorizando-a:
- Tempo: horas perdidas, troca de contexto, tarefas administrativas repetitivas
- Dinheiro: custos diretos, vazamentos, receita perdida
- Risco: conformidade, erros, danos reputacionais
- Frustração: estresse, conversas constrangedoras, sensação de estar preso
- Resultados perdidos: crescimento mais lento, churn, oportunidades perdidas
O objetivo não é drama; é impacto mensurável.
Liste as suposições que devem ser verdadeiras
Antes de testar qualquer coisa, escreva suas suposições “deve ser verdade”:
- O problema acontece frequentemente o suficiente para importar.
- As pessoas que sentem isso podem decidir (ou influenciar) uma compra.
- A solução improvisada atual é dolorosa o suficiente para que troquem de solução.
- Sua abordagem pode entregar uma melhoria clara (mais rápida, mais barata, mais segura, mais simples).
Essas suposições viram sua checklist de validação — não sua lista de desejos.
Identifique seus usuários-alvo e a urgência
Se você não consegue nomear as pessoas que usariam seu produto, não consegue dizer se a ideia tem demanda — ou apenas parece empolgante.
Escolha uma persona primária (estreite de propósito)
Comece com um único “usuário ideal”. Seja específico o bastante para que você consiga encontrar 10 deles esta semana.
Defina:
- Papel: Quem eles são (ex.: gerente de escritório, fundador de agência, generalista de RH)
- Contexto: Onde o trabalho acontece (time remoto, indústria regulada, operações de campo)
- Restrições: O que os limita (aprovação de orçamento, tempo, acesso a dados, conformidade)
Uma persona bem definida torna sua mensagem, entrevistas e experimentos mais simples. Você pode expandir depois.
Não se prenda a números perfeitos. Use faixas aproximadas para guiar se vale a pena aprofundar:
- Minúscula: algumas organizações ou especialistas
- Nicho: um grupo reconhecível com ferramentas e dores compartilhadas
- Ampla: muitos papéis em muitas indústrias
Uma audiência minúscula pode ser ótima — se a urgência e o poder de precificação forem altos.
Onde eles realmente se reúnem?
Liste 3–5 lugares onde você pode alcançá-los de forma confiável:
- Comunidades (grupos Slack, fóruns, subreddits, associações)
- Ferramentas que já usam (ecossistemas de software, marketplaces, templates)
- Fluxos de trabalho (relatórios semanais, onboarding, faturamento, auditorias)
Se você não consegue localizá-los, distribuição pode ser o verdadeiro risco.
Identifique sinais de urgência (a diferença entre “legal” e “necessário”)
Urgência aparece como:
- Prazos: fechamento do mês, renovações, lançamentos de projeto
- Conformidade: auditorias, exigências de políticas, exposição legal
- Impacto na receita: negócios perdidos, churn, ciclos de vendas lentos
- Repetição: a mesma tarefa dolorosa várias vezes por semana
Os melhores clientes iniciais não estão apenas interessados — eles sentem um custo em esperar.
Mapeie alternativas e concorrência sem complicar demais
Pesquisa de concorrência não é sobre criar uma planilha gigante. É sobre responder a uma pergunta: o que as pessoas usam hoje para resolver esse problema, e por quê? Se você não consegue nomear as alternativas, não consegue explicar por que sua ideia merece atenção.
Faça uma lista rápida em dois grupos:
- Concorrentes diretos: produtos que afirmam claramente resolver o mesmo trabalho.
- Alternativas indiretas: planilhas, threads de email, gambiarras no Slack, agências, templates, contratar alguém, ou simplesmente tolerar a dor (“a gente apenas vive com isso”).
Esse segundo grupo importa porque “não fazer nada” frequentemente vence — não por ser ótimo, mas porque custo de troca parece maior que a dor.
Registre o que os usuários realmente gostam e odeiam
Não julgue alternativas pela homepage. Veja o que os clientes dizem quando dinheiro e frustração estão envolvidos:
- Avaliações (lojas de apps, G2/Capterra, fóruns, Reddit)
- Reclamações de churn (“cancelei porque…”) e atrito de onboarding (“muito difícil de configurar”)
- Confusão na página de preços (“não sei qual plano preciso”)
Escreva padrões em linguagem simples. Exemplos: “leva semanas para implementar”, “funciona mas é tosco”, “suporte não responde”, “não integra com nossas ferramentas”, “muitas funcionalidades que não usamos”.
Identifique diferenciação que importa
Diferenciação só é útil se muda uma decisão de compra. As vantagens “significativas” mais comuns são:
- Velocidade: configuração mais rápida, resultados mais rápidos, menos passos
- Simplicidade: escopo mais estreito, fluxo mais claro, menos administração
- Confiança: conformidade, confiabilidade, suporte, reputação, trilhas de auditoria
- Preço: mais barato pelo mesmo valor, ou preço mais claro que parece justo
- Integração: encaixa-se nas ferramentas que as pessoas já usam
Decida: melhor, mais barato ou diferente
Escolha uma via principal:
- Melhor: você supera em uma métrica chave que os usuários valorizam.
- Mais barato: vence no custo sem criar novo risco.
- Diferente: foca em um segmento negligenciado ou uso específico que outros ignoram.
Se você não consegue afirmar sua via em uma frase — e conectá-la a uma reclamação real dos usuários — pause. Seu trabalho de validação deve provar que essa reclamação é comum e dolorosa o suficiente para gerar troca.
Entrevistas com clientes são a forma mais rápida de aprender se um problema é real, frequente e doloroso o bastante para que pessoas já gastem tempo ou dinheiro lidando com ele.
Como recrutar e conduzir (rápido)
Almeje 5–15 entrevistas com pessoas que batam com sua persona-alvo. Recrute pela sua rede, comunidades relevantes, LinkedIn ou listas de clientes. Mantenha chamadas de 20–30 minutos e peça permissão para gravar.
Durante e depois das entrevistas, registre padrões, não citações. Você não busca uma frase de efeito — busca repetição: a mesma dor, o mesmo contorno, a mesma urgência.
10 perguntas focadas em comportamento passado (não opiniões)
- “Conte-me sobre a última vez que você enfrentou esse problema. O que o desencadeou?”
- “O que você fez imediatamente depois de perceber isso?”
- “Quais ferramentas ou pessoas você usou para resolver?”
- “Com que frequência isso aconteceu no último mês/trimestre?”
- “Qual foi o custo (tempo, dinheiro, erros, estresse) da última vez?”
- “O que você tentou antes que não funcionou? Por quê?”
- “Quem mais está envolvido quando esse problema aparece (time, gerente, fornecedor)?”
- “Como você decide se algo é ‘ruim o bastante’ para consertar?”
- “Você já pagou por algo para resolver isso (software, contratado, projeto interno)? Quanto?”
- “Se pudesse fazer um passe de mágica, como seria um processo melhor? O que permaneceria igual?”
Como demanda real soa
Procure sinais de disposição a pagar: gasto existente, linha de orçamento, processo de aprovação conhecido, ou um claro “já pagamos R$X por Y, mas falha quando…”. Observe também urgência: prazos, impacto na receita, risco de conformidade ou dor operacional repetida.
Sinais de alerta para levar a sério
Cuidado com interesse educado (“parece legal”), dor vaga (“é meio irritante”) ou “eu usaria” sem exemplo recente. Se as pessoas não conseguem nomear a última vez que aconteceu, geralmente não é prioridade.
Entregue um MVP técnico
Construa um MVP com React + Go + PostgreSQL sem uma longa fase de configuração.
Você não precisa de um produto pronto para aprender se as pessoas vão aparecer. O objetivo aqui é testar comportamento, não opiniões: cliques, inscrições, respostas, pré-vendas ou agendamentos de calendário.
Antes de rodar qualquer experimento, escreva uma frase específica que possa ser refutada:
- Resultado: o que muda para o usuário?
- Tempo: quão rápido eles obtêm esse resultado?
- Audiência: para quem é (e para quem não é)?
Exemplo: “Ajudar designers freelancers a produzir faturas prontas para cliente em menos de 2 minutos, sem planilhas.”
Lance uma landing page simples
Crie uma página única que reflita como você venderia depois:
- Proposição de valor clara (a promessa acima)
- 3–5 casos de uso (não listas de funcionalidades)
- Espaço para prova social (“Participe da lista de early access”) em vez de depoimentos falsos
- Um CTA principal: “Solicitar acesso antecipado” ou “Agendar demo”
Se você já tem um site, considere uma página separada como /early-access para rastrear com clareza.
Direcione tráfego e compare mensagens
Teste mensagens onde seus usuários-alvo já estão: pequenos anúncios, comunidades relevantes (quando permitido) ou outreach direto. Acompanhe taxas de conversão por mensagem, não apenas visitas totais — um título pode render 3–5× mais que outro.
Use smoke tests eticamente
Um smoke test é um fluxo de “comprar” ou “iniciar trial” para algo ainda não construído. Faça isso com transparência: marque como “acesso antecipado” e explique o que acontece depois (lista de espera, entrevista, piloto). O objetivo é medir intenção sem enganar ninguém.
Mesmo 20–50 visitas qualificadas podem revelar muito se a promessa for estreita e a audiência certa.
Verifique monetização e precificação antes de construir
Um produto pode resolver um problema real e ainda assim falhar se ninguém puder (ou quiser) pagar por ele. Antes de investir na construção, esclareça como o dinheiro fluiria e quem aprovaria o gasto.
Liste maneiras de gerar receita
Comece amplo e depois afine. Opções comuns incluem:
- Assinatura (mensal/anual)
- Uso: por assento, por transação, por chamada de API
- Compra única (licença ou acesso vitalício)
- Serviços (setup, implementação, treinamento)
- Performance/commissionamento (percentual sobre resultados)
- Licenciamento/white-label (vender para outros negócios revenderem)
- Taxas de marketplace (comissão sobre transações)
Se o único caminho plausível é “monetizaremos depois”, trate isso como um risco a resolver agora.
Escolha um modelo primário para testar primeiro
Opte por um único modelo primário para validação, mesmo que espere mudá-lo. Isso mantém mensagens e experimentos focados. Pergunte: seu comprador espera cobranças previsíveis (assinatura), ou o valor escala com volume (uso)?
Estime uma faixa de preço usando âncoras simples
Você não precisa de precificação perfeita — apenas uma faixa crível.
- Preço dos concorrentes: quanto as alternativas cobram hoje?
- ROI/valor: quanto sua solução economiza ou gera? O preço costuma ser uma pequena fração disso.
- Proprietário do orçamento: quem aprova (líder de time, diretor, financeiro)? O orçamento discricionário típico importa.
Faça um teste leve de precificação
Teste disposição a pagar antes de construir.
- Crie uma landing page com dois ou três pontos de preço e acompanhe qual recebe mais cliques em “Começar”.
- Ou bloqueie acesso com “Agende uma chamada” a um preço declarado (“Planos a partir de R$X/mês”). Se pessoas qualificadas ainda agendarem, você está mais perto da demanda real.
Se o interesse despenca acima de um preço muito baixo, talvez seja um problema “agradável de ter” — ou você está mirando o comprador errado.
Avalie viabilidade e complexidade oculta
Construa com sua equipe
Convide um colega ou cofundador e valide ideias juntos em um único espaço de trabalho.
Uma ideia promissora pode falhar se for mais difícil de construir (ou operar) do que parece. Esta etapa é sobre transformar “achamos que dá” em uma lista clara de conhecidos, desconhecidos e o caminho mais rápido para reduzir risco.
Esclareça o trabalho e o que você realmente vai entregar
Comece com o job to be done em uma frase: o que os usuários estão tentando alcançar e como é o “feito”.
Depois, rascunhe uma lista simples de funcionalidades dividida em dois grupos:
- Essenciais (MVP): o menor conjunto que completa o job de ponta a ponta
- Bacanas de ter: úteis, mas não necessárias para provar demanda ou entregar o resultado central
Isso mantém discussões de viabilidade focadas. Você está avaliando o MVP, não o produto dos sonhos.
Viabilidade em alto nível: incógnitas e dependências
Faça uma varredura técnica rápida e escreva explicitamente o que é incerto:
- Incógnitas: tecnologia nova, qualidade de dados incerta, casos de borda, requisitos de precisão
- Dependências: fornecedores, APIs de terceiros, lojas de apps, times internos, sistemas legados
Se uma única dependência pode bloquear o lançamento (por exemplo, uma integração fora do seu controle), trate-a como risco de primeira classe.
Restrições que expandem o escopo silenciosamente
Complexidade oculta costuma estar em restrições descobertas tarde demais:
- Dados: de onde vêm, quem os controla, com que frequência mudam, como corrigir registros ruins
- Integrações: autenticação, limites de taxa, mudanças de versão, tratamento de erros
- Segurança & privacidade: manuseio de PII, criptografia, controle de acesso, logs de auditoria
- Conformidade: GDPR/CCPA, necessidade de SOC 2, HIPAA/PCI (se aplicável)
- Performance: tempos de resposta, picos de uso, jobs em background, expectativas de confiabilidade
Escolha a suposição mais arriscada e rode um protótipo/experimento time-boxed (1–3 dias) para respondê-la. Exemplos:
- Conseguimos puxar dados da API de forma confiável no volume exigido?
- Conseguimos atingir latência aceitável com a abordagem escolhida?
- É viável atender requisitos de segurança sem redesenhar a arquitetura?
O resultado deve ser uma nota curta: o que funcionou, o que não funcionou e o que isso implica para escopo e cronograma do MVP.
Dica: se seu gargalo é colocar um protótipo ponta a ponta na frente de usuários (não código perfeito), considere usar uma plataforma de vibe-coding como a Koder.ai para levantar rapidamente um web app via chat, iterar em “modo planejamento” e depois exportar o código fonte se os sinais justificarem investimento de engenharia completo.
Defina métricas, limiares e um plano simples de experimentos
A validação fica confusa quando você não define “sucesso” antes. Você acaba interpretando os mesmos resultados como “promissor” ou “não suficiente” dependendo do quanto gostou da ideia.
Esta seção é sobre pré-comprometer: escolher métricas, a barra mínima que deve ser atingida e um plano leve que possa rodar em dias — não meses.
Escolha 1–3 métricas de sucesso (e torne-as observáveis)
Escolha métricas que batam com o que você realmente quer provar. Opções comuns:
- Inscrições / leads: “as pessoas levantam a mão?”
- Ativação: “atingem o primeiro resultado significativo?” (ex.: completar onboarding, criar primeiro projeto, importar dados)
- Retenção: “voltam?” (usuários ativos semanais, compras repetidas, uso continuado após 14/30 dias)
- Receita: “vão pagar?” (conversões pagas, depósitos, pré-vendas)
- Referências: “vão recomendar?” (convites enviados, compartilhamentos, indicações)
Evite métricas de vaidade como impressões, a menos que apoiem diretamente uma métrica de conversão (ex.: visitas à landing → taxa de inscrição).
Defina o limiar go/no-go antes de começar
Escreva o resultado mínimo que justificaria construir mais. Exemplos:
- “Pelo menos 40 inscrições qualificadas em 14 dias do nosso público-alvo, com 10% agendando uma chamada.”
- “Pelo menos 8 de 15 entrevistados dizem que mudariam da abordagem atual em 30 dias.”
- “Pelo menos 5 pré-vendas pagas a R$49/mês (ou depósito) de prospects independentes.”
Se você não fixa um limiar antes, é fácil racionalizar sinais fracos como ‘quase lá’.
Crie um plano de experimento de uma página
Mantenha simples e compartilhável:
- Hipótese: O que deve ser verdade? (“Terapeutas ocupados pagarão por lembretes automáticos de intake porque faltas custam dinheiro.”)
- Método: Landing page + anúncios, piloto concierge, preorder, webinar, emails outbound — escolha um.
- Tamanho da amostra: Quantas pessoas ou eventos você precisa (ex.: 200 visitas, 20 conversas, 10 trials).
- Prazo: Janela fixa (7 dias, 2 semanas).
- Regra de decisão: Seu limiar pré-definido e o que fará se perder (iterar mensagem, trocar segmento ou parar).
Registre aprendizados num log de confiança
Durante o experimento, anote rapidamente:
- O que testou (mensagem, audiência, oferta)
- O que aconteceu (números + citações notáveis)
- O que mudou sua confiança e por quê
Isso transforma validação em trilha de evidências — e facilita a próxima decisão.
Mapeie riscos e decida o que desarriscar primeiro
Uma boa ideia ainda pode ser uma aposta ruim se os riscos se acumularem nos lugares errados. Antes de investir mais tempo ou dinheiro, mapeie os riscos explicitamente e decida o que você precisa aprender primeiro.
Capture categorias principais de risco para não se fixar em apenas uma:
- Risco de mercado: pessoas não se importam, momento errado, orçamentos congelados
- Risco de produto: fluxo mal compreendido, adoção difícil, valor não óbvio
- Risco técnico: performance, integrações, qualidade de dados, escalabilidade, segurança
- Risco legal/compliance: privacidade, propriedade intelectual, reivindicações reguladas, termos com parceiros
- Risco operacional: carga de suporte, esforço de onboarding, fulfillment, dependência de fornecedores
- Risco de reputação: questões de confiança, dados sensíveis, dano de marca por falhas
Classifique por impacto e probabilidade
Para cada risco, pontue Impacto (1–5) e Probabilidade (1–5). Multiplique para um escore rápido de prioridade.
Depois escolha os 3 principais riscos para abordar primeiro. Se você tiver dez riscos “médios”, você não fará nada; forçar um top 3 cria foco.
Escolha mitigações que mudem a aposta
Seu objetivo não é “gerenciar risco” em teoria — é mudar o plano para que as suposições mais arriscadas sejam testadas de forma barata.
Mitigações comuns:
- Escopo mais estreito: entregue um job central em vez de uma suíte inteira
- Segmento diferente: comece com usuários que sentem a dor semanalmente (não “algum dia”)
- Canal diferente: se ads pagos forem caros, tente parcerias, outbound ou comunidade
- Manual primeiro: onboarding concierge ou humano no loop para evitar automação prematura
Defina como o fracasso se parece (e detecte cedo)
Escreva sinais claros de fracasso ligados aos seus experimentos, por exemplo:
- Menos que X% dos usuários-alvo aceitam acompanhamento após entrevistas
- Ninguém está disposto a pré-encomendar / dar depósito / assinar LOI
- Estimativas de custo de aquisição excedem sua margem esperada por 2–3×
Se um sinal de fracasso disparar, ou você pivota a suposição (segmento, preço, promessa) ou para. É assim que protege seu tempo — e mantém a validação honesta.
Estime custos e dimensione um MVP que você realmente consiga entregar
Do problema ao app
Descreva o problema no chat e obtenha um app real montado em minutos.
Um bom MVP não é “pequeno”. É focado. O objetivo é lançar algo que complete um job significativo para uma pessoa específica — sem construir todo um universo de produto ao redor.
Escolha um usuário alvo e escreva a promessa do MVP em linguagem simples: “Quando [persona] precisa [job], ela pode fazer em [maneira simples].” Se não der para dizer em uma frase, o escopo provavelmente está grande demais.
Um filtro rápido de escopo:
- Essencial: passos mínimos para entregar o resultado
- Bacana: tudo que deixa mais bonito, rápido ou configurável
- Depois: integrações, dashboards, papéis/permissões, automações e páginas de “configurações”
Estime custo (incluindo custo de oportunidade)
Custo não é só tempo de desenvolvedor. Some:
- Tempo de construção: design, engenharia, QA, gestão de projeto
- Custos em dinheiro: ferramentas, APIs, freelancers, jurídico/compliance se relevante
- Tempo contínuo: correções, pequenas melhorias, suporte ao cliente
- Custo de oportunidade: o que você não fará se escolher este projeto (outra funcionalidade, outro cliente, uma ação de vendas)
Se o MVP precisa de meses de trabalho antes de qualquer aprendizado ou receita, é um sinal de alerta — a menos que o upside seja incomum e claro.
Considere construir vs comprar vs parceria vs manual
Antes de codar, pergunte o que te leva ao aprendizado mais rápido:
- Comprar: software existente, templates, ferramentas no-code
- Parceria: alguém que já tem distribuição ou infra
- Manual concierge: entregar o resultado à mão (emails, planilhas, serviço feito para o cliente)
Às vezes, um caminho intermediário é mais rápido: usar uma ferramenta que gera um app funcional rapidamente para validar fluxo e onboarding sem se comprometer com build completo. Por exemplo, Koder.ai pode ajudar a criar um MVP React + Go + PostgreSQL via chat, iterar rápido e manter a opção de exportar o código depois.
Se clientes não pagam pela versão manual, provavelmente o software não resolverá isso.
Não esqueça onboarding e suporte
Versões iniciais falham porque os usuários não as entendem. Reserve tempo para um onboarding simples, instruções claras e um canal de suporte. Muitas vezes esse é o trabalho real — mais que a funcionalidade em si.
Tome a decisão: construir, iterar na validação ou abandonar
Em algum momento, mais pesquisa para de ajudar. Você precisa de uma decisão clara que consiga explicar ao time (ou a si mesmo) e agir imediatamente.
Use uma matriz de decisão simples
Pontue cada categoria de 1–5 com base nas evidências coletadas (entrevistas, experimentos, testes de preço, checagens de viabilidade). Mantenha rápido — é para clareza, não perfeição.
| Categoria | O que um “5” representa |
|---|
| Evidência | Múltiplos sinais se alinham: usuários descrevem a mesma dor, experimentos convertem, preço não é rejeitado |
| Upside | Receita significativa, retenção ou valor estratégico se funcionar |
| Esforço | MVP pequeno pode ser lançado rápido com time e ferramentas atuais |
| Risco | Principais incógnitas já reduzidas; riscos restantes aceitáveis |
| Ajuste estratégico | Cabe no seu público, marca, canais de distribuição e direção de longo prazo |
Adicione uma nota curta ao lado de cada pontuação (“por que demos 2”). Essas notas importam mais que o número.
Defina três resultados (e escolha um)
- Construir agora: as pontuações são fortes e os riscos restantes são riscos de execução normais.
- Rodar mais um teste: uma incerteza chave ainda bloqueia (geralmente demanda, disposição a pagar ou viabilidade).
- Pausar/matar: evidências fracas, esforço alto ou desvio do trabalho de maior impacto.
Escreva um resumo de decisão (uma página)
Inclua:
- O que aprendeu: principais dores dos usuários, provas mais fortes de demanda, maiores objeções.
- Sua decisão: construir / rodar mais um teste / pausar.
- O que acontece a seguir: próximo passo, responsável e prazo (ex.: “Teste de precificação de duas semanas, decisão em 14 de maio”).
Mantenha leve:
- Primeiros 30 dias: lançar MVP, instrumentar métricas chave, recrutar primeiros usuários.
- 60 dias: iterar ativação e retenção, afinar posicionamento, validar um canal repetível de aquisição.
- 90 dias: decidir escalar, pivotar ou parar baseado nos limiares acordados.
O objetivo não é estar “certo” — é tomar uma decisão com raciocínio claro e aprender rápido com o uso real.