Guia prático passo a passo para planejar, projetar e construir um app móvel que registra uma métrica por dia — do escopo do MVP ao UI, armazenamento e lançamento.

Um app “uma métrica por dia” faz exatamente uma coisa: pede ao usuário para registrar um único número (ou valor simples) uma vez por dia no calendário. Sem formulários longos, sem checklists, sem múltiplas abas de dados. O objetivo é fazer o registro diário parecer tão fácil quanto marcar uma caixa.
A maioria dos apps de rastreamento falha por um motivo óbvio: pede demais, com muita frequência. Quando os usuários têm que lembrar múltiplos inputs, interpretar rótulos ou decidir o que “ conta”, eles pulam um dia — e depois param de usar.
Limitar o app a uma métrica reduz a carga mental:
Essa simplicidade torna o hábito mais fácil de manter quando a vida fica corrida — justamente quando o rastreamento é mais útil.
Uma métrica deve ser rápida de capturar e fácil de comparar ao longo do tempo. Bons exemplos incluem:
O ponto-chave é que o usuário deve entender a escala sem reler instruções todo dia. Se ele precisa pensar muito sobre que número inserir, o app já está perdendo.
Esse tipo de app é ideal para pessoas que querem um auto-check-in leve: crescimento pessoal, rotinas de saúde, experimentos de produtividade ou simplesmente perceber padrões. Funciona especialmente bem quando precisão não é essencial — consistência é.
Seja explícito sobre o que o app é e o que não é. Isso é um registro pessoal, não uma ferramenta de diagnóstico. Se você rastrear dor, humor ou sono, evite alegações médicas e apresente os dados como “suas anotações ao longo do tempo”, não como conselho médico.
Um app de uma métrica permanece simples apenas se a métrica for inequívoca. Antes de projetar telas ou bancos, escreva as regras em linguagem clara para que os usuários sempre saibam o que inserir e quando.
Comece escolhendo uma única coisa que as pessoas possam medir com consistência. Depois escolha a unidade que combina com a forma como as pessoas pensam naturalmente:
Escreva o rótulo exatamente como aparecerá no app, incluindo a unidade. Por exemplo: “Sono (horas)” é mais claro que “Sono”.
A validação evita dados bagunçados e reduz frustrações futuras.
Para uma métrica numérica, defina:
Para uma escala, defina o que cada extremo significa (“0 = nenhum, 10 = pior imaginável”) para manter a consistência entre dias.
Para sim/não, decida se “sem entrada” deve ser tratado como “não” ou como “desconhecido”. Normalmente é melhor manter “não rastreado” distinto de “não”.
Os usuários esperam que o app siga o dia local deles. Use o fuso horário do usuário para agrupar entradas e defina um corte claro (tipicamente a meia-noite local).
Também decida como lidar com viagens. Uma abordagem simples: cada dia é baseado no fuso horário no momento da entrada, e dias passados não mudam depois.
Backfilling pode ajudar na honestidade e continuidade, mas edições ilimitadas podem minar a confiança nas tendências.
Escolha uma política e declare-a claramente:
Essas regras tornam seus dados confiáveis e preservam a promessa de “uma vez por dia”.
Um app de uma métrica vence sendo rápido e previsível. O MVP deve parecer “completo” porque faz um conjunto pequeno de coisas excepcionalmente bem — e recusa todo o resto.
Hoje (Entrada): tela inicial onde o usuário registra o valor de hoje. Deve ser óbvio o que “hoje” significa e se já existe uma entrada.
Histórico (Calendário ou lista): visão simples dos dias recentes com varredura rápida e possibilidade de tocar em um dia para editar.
Tendências: um gráfico básico que responda “como tenho ido ultimamente?” sem opções extras.
Configurações: controles mínimos: nome/unidade da métrica, limite diário (se necessário), lembretes, exportar e noções básicas de privacidade.
Para a primeira versão, limite a funcionalidade a:
Tudo além disso é distração no início.
Esses recursos normalmente aumentam a complexidade da UI, do modelo de dados e do suporte:
Se tiver dúvida sobre um recurso, provavelmente não é MVP.
Escreva algumas metas mensuráveis para saber se o MVP funciona:
Esses critérios mantêm decisões ancoradas: toda nova ideia deve proteger velocidade, clareza e confiança.
A tela “Hoje” é o seu app. Se levar mais que alguns segundos, as pessoas irão pular. Mire em um olhar, uma ação, pronto.
Escolha um input que combine com a forma da métrica:
Qualquer que seja o controle, permita que um único toque salve. Evite telas de “Confirmar” extras, a não ser que a métrica seja irreversível (normalmente não é). Mostre feedback imediato como “Salvo para hoje” e o valor registrado.
As pessoas não devem se perguntar o que “7” significa:
Mantenha a linguagem consistente no app: a mesma unidade, a mesma escala, a mesma redação.
Use alvos de toque grandes (amigáveis ao polegar), alto contraste e tipografia legível. Dê suporte ao dimensionamento de texto do sistema. Garanta que os controles tenham nomes significativos para leitores de tela (ex.: “Aumentar valor” em vez de “Botão”). Não dependa apenas da cor para transmitir informação.
Um campo de nota pode adicionar contexto (“pouco sono”, “dia de viagem”), mas também pode desacelerar o registro. Mantenha-o opcional e recolhido por padrão (“Adicionar nota”). Considere uma configuração para desligar notas completamente para quem quer máxima velocidade.
Um app de uma métrica só parece “simples” se a tela de histórico permanecer calma. O objetivo é responder duas perguntas rapidamente: “O que aconteceu?” e “Está mudando?” — sem transformar o app em um painel.
Escolha uma única vista padrão e faça todo o resto secundário:
Se oferecer ambas, não as apresente como abas iguais no começo. Comece com uma e esconda a alternativa atrás de um toggle simples.
Decida desde o início como representar “sem entrada”. Trate como vazio, não zero, a menos que zero seja um valor significativo escolhido ativamente.
Na UI:
Streaks podem motivar, mas também punir. Se incluir:
Tendências devem ser um resumo rápido, não uma ferramenta de charting. Uma abordagem prática é mostrar médias de 7/30/90 dias (ou somas, dependendo da métrica) com uma linha curta: “Últimos 7 dias: 8.2 (acima de 7.5).”
Evite múltiplos tipos de gráfico. Um pequeno sparkline ou uma tira de barras é suficiente — especialmente se carregar instantaneamente e permanecer legível numa olhada.
Esse tipo de app vence quando parece instantâneo. Suas escolhas técnicas devem otimizar para um rastreador simples de métrica diária que carregue rápido, funcione offline e seja fácil de manter como MVP móvel.
Se quiser integração máxima com o SO (widgets, lembretes do sistema, melhor desempenho de rolagem), vá nativo: Swift (iOS) e Kotlin (Android). Você terá a experiência mais “no lar”, mas manterá duas bases de código.
Se velocidade de entrega for mais importante, um framework cross-platform geralmente basta para um app de hábitos:
Ambas funcionam bem para um fluxo de uma tela por dia.
Se quiser ir ainda mais rápido da ideia ao MVP funcional, uma plataforma de geração tipo Koder.ai pode ajudar a gerar um app React web, um backend Go + PostgreSQL ou um cliente Flutter a partir de um chat — então exportar o código quando quiser possuir e estender.
Modele seu registro central como uma única entrada diária:
{ date, value, createdAt, updatedAt, note? }Use uma date canônica que represente o “dia” do usuário (armazene como uma data ISO como YYYY-MM-DD), separada de timestamps. Isso mantém a validação simples: uma entrada por dia, sobrescrever ou editar conforme necessário.
No mínimo, planeje estas camadas:
Escolha dependências pequenas e bem mantidas:
Adicione analytics só mais tarde se não complicar o fluxo central.
Um app de uma métrica por dia vence quando nunca perde entradas e nunca bloqueia o usuário. Por isso o MVP deve ser local-primeiro: o app funciona totalmente offline, salva instantaneamente e não exige conta.
Escolha uma camada de banco on-device comprovada em vez de tentar “só gravar arquivos”. Opções comuns:
Mantenha o modelo de dados simples e durável: um registro com chave de data, o valor da métrica e metadados leves (como “note” ou “createdAt”). A maioria dos problemas surge quando você não trata a “data” com cuidado — armazene um identificador claro do dia (veja a seção de fuso horário) para que “uma entrada por dia” seja aplicável.
Projete o app para que cada entrada diária seja confirmada como salva sem conexão de rede. Isso reduz atrito e elimina uma categoria inteira de falhas (queda de login, downtime do servidor, recepção ruim).
Se adicionar sync depois, trate-a como melhoria, não requisito:
Exportar gera confiança porque usuários sabem que podem sair com seus dados.
Ofereça pelo menos um formato simples:
Faça exportar fácil de encontrar (Configurações está ok) e torne o arquivo autoexplicativo: inclua o nome da métrica, unidade (se houver) e pares data/valor.
Para o MVP, conte com backups da plataforma (backup do dispositivo iCloud no iOS, backup Google no Android) quando apropriado.
Opcionalmente planeje um “caminho de upgrade” depois:
O essencial é consistência: salvamentos locais devem ser imediatos, exportações confiáveis e backups uma rede de segurança — não um obstáculo.
Lembretes podem fazer o app grudar, mas também são a forma mais rápida de ser desinstalado. Princípio guia: lembretes devem ser empurrões úteis e controlados pelo usuário — não uma máquina de incomodar.
Comece com um único horário de lembrete diário. Durante o onboarding, ofereça um padrão sensato (por exemplo, início da noite) e mostre logo um toggle claro para desativar lembretes.
Mantenha controles simples:
Cópia curta e calma reduz pressão e culpa. Evite linguagem de streak ou julgamento.
Exemplos:
Se a métrica tem nome, inclua-o só se for curto e inequívoco.
Se o usuário não agir, não continue enviando notificações. Uma por dia basta.
No app, trate dias perdidos com um lembrete gentil:
Faça “Agora não” uma opção de primeira classe e não puna o usuário com avisos.
Quando o loop central estiver estável, considere recursos que reduzam ainda mais atrito:
Adicione estes só se realmente encurtarem o caminho para uma entrada diária.
Confiança é um recurso. Um app de uma métrica tem vantagem: você pode projetá-lo para coletar quase nada — e explicar isso claramente.
Por padrão, armazene apenas o valor diário, a data e (se necessário) a unidade. Evite coletar algo que transforme o rastreador simples em perfilamento pessoal — sem listas de contatos, sem localização precisa, sem identificadores de anúncio e sem perguntas demográficas obrigatórias.
Se oferecer notas ou tags, trate-as como potencialmente sensíveis. Torne-as opcionais, curtas e nunca obrigatórias.
Explique o armazenamento em linguagem simples dentro do app:
Mesmo sem nuvem, usuários devem saber se desinstalar o app apaga tudo e como funciona a exportação.
Proteja contra bisbilhotagem casual:
Coloque um item “Política de Privacidade” nas Configurações rotulado exatamente assim e inclua o caminho como texto: /privacy. Acompanhe com um resumo curto e legível: o que você armazena, onde é armazenado e o que você não coleta.
Um app de uma métrica deve ser discreto e focado — seus analytics também. O objetivo não é rastrear tudo; é confirmar que as pessoas conseguem adicionar o valor de hoje rapidinho, continuar fazendo isso e confiar no app.
Comece com um conjunto mínimo de eventos que mapeiem a jornada do usuário:
Se adicionar lembretes depois, registre lembrete ativado/desativado como evento de configuração (não uma nota comportamental).
Você pode aprender muito sem armazenar a métrica em si. Prefira agregações e propriedades derivadas, como:
Isso permite entender curvas de retenção e distribuição de streaks evitando dados sensíveis.
Use ferramentas de analytics que suportem:
Relacione mudanças de produto a um pequeno card de pontuação:
Se uma mudança não melhora um desses, pode ser complexidade disfarçada de progresso.
Um app de uma métrica por dia parece simples até você encarar a realidade do calendário. A maioria dos bugs “misteriosos” surge quando um usuário viaja, muda o relógio do dispositivo ou tenta registrar o dia anterior à 0h01. Um plano de testes focado e pequeno lhe economizará semanas de suporte.
Defina o que “um dia” significa no seu app (geralmente o dia local do usuário) e teste limites explicitamente:
Uma técnica útil: escrever testes usando “clock” fixos (tempo mockado) para que os resultados não dependam do momento em que os testes rodam.
Casos de borda frequentemente vêm de comportamento normal do usuário:
Priorize testes unitários para:
Simuladores não pegam tudo. Teste em pelo menos um aparelho de tela pequena e um maior, além de:
Se esses testes passarem, seu app vai parecer “monótona e confiavelmente” estável — exatamente o que rastreamento diário precisa.
Um app de uma métrica vive ou morre pela clareza. O lançamento deve tornar o “registro diário” óbvio, e a primeira semana após o lançamento deve ser sobre suavizar atritos — não sobre adicionar recursos.
Sua página na loja é parte do produto. Mantenha-a visual e específica:
Escolha um modelo que você explique em uma linha. Para um rastreador simples, complexidade prejudica confiança:
O onboarding deve configurar o mínimo necessário para começar.
Pergunte apenas por:
Depois disso, leve o usuário direto para “Hoje”. Evite tutoriais em vários passos.
Trate a primeira versão como ferramenta de aprendizado:
Se estiver construindo e iterando rápido, ferramentas como Koder.ai podem encurtar o ciclo: prototipe o MVP via chat, faça deploy/host, snapshot e rollback seguros, e exporte o código quando quiser entrar numa pipeline de engenharia mais longa.
Escolha algo que o usuário consiga registrar em poucos segundos sem precisar interpretar. Bons candidatos são:
Se os usuários frequentemente se perguntam “o que esse número significa?”, a métrica é ambígua demais para virar um hábito diário.
Defina como o dia local do usuário e armazene uma chave de dia separada (por exemplo, YYYY-MM-DD) em vez de depender apenas de timestamps. Uma regra prática é:
Isso mantém “uma entrada por dia” aplicável e previsível.
Use validação para evitar dados confusos e reduzir frustração:
A validação deve existir tanto na UI (feedback rápido) quanto na camada de dados (aplicação real das regras).
Escolha uma política e deixe-a clara na UI. Opções comuns e amistosas ao MVP:
Regras mais restritas aumentam a confiança nas tendências; regras mais flexíveis melhoram a continuidade. Evite alterações “silenciosas” que o usuário não consiga ver.
Mantenha em quatro telas para que o loop continue rápido:
Se um recurso não protege velocidade, clareza e confiabilidade, adie-o.
Escolha o controle que combine com o formato da métrica e permita “toque-para-salvar”:
Evite telas de confirmação extras, a não ser que a ação seja irreversível (geralmente não é). Mostre feedback imediato (“Salvo para hoje”).
Trate ausência como em branco, não como zero (a não ser que zero seja um valor intencional). Na UI:
Isso mantém o histórico honesto e evita gráficos enganosos.
Uma abordagem local-primeiro é ideal:
Use um banco de dados local real (SQLite/Room, Core Data, Realm) em vez de arquivos improvisados para reduzir corrupção e bugs de borda.
Ofereça exportação em Configurações para que os usuários tenham controle dos dados:
Inclua o nome da métrica, unidade e pares data/valor para que o arquivo seja autoexplicativo. Se incluir notas, exporte-as como coluna/campo opcional.
Mantenha analytics mínimos e amigáveis à privacidade:
Para as divulgações de privacidade, torne-as fáceis de encontrar (ex.: link para /privacy) e explique claramente o que é armazenado e onde.