O jQuery de John Resig simplificou JavaScript, uniformizou quirks de navegadores e popularizou padrões que influenciaram ferramentas de front‑end por anos. Veja como ele moldou a web.

getElementById, getElementsByTagName, loops manuais e verificações de string só para atingir os elementos certos.\n\nMesmo quando você selecionava o que precisava, muitas vezes tinha que escrever código extra para lidar com coleções, convertê-las em arrays ou contornar casos estranhos.\n\n### Eventos eram uma dor de cabeça cross‑browser\n\nManipuladores de clique, teclas e efeitos de hover eram requisitos comuns — mas navegadores discordavam em como o binding de eventos funcionava e como o objeto de evento se apresentava. Código que funcionava em um navegador podia falhar silenciosamente em outro.\n\nDesenvolvedores escreviam wrappers para normalizar o tratamento de eventos: “Se esta API existe, use; caso contrário, caia para aquela.” Isso significava mais código, mais debug e mais formas para bugs entrarem.\n\n### AJAX parecia território de especialistas\n\nRequisições assíncronas eram possíveis, mas não amigáveis. Configurar um XMLHttpRequest geralmente envolvia várias etapas, lógica condicional para diferentes navegadores e cuidado com os estados de resposta.\n\nUma funcionalidade pequena — como submeter um formulário sem recarregar a página — podia inflar para dezenas de linhas mais tentativas, tratamento de erro e testes de navegador.\n\n### O custo real: confiabilidade e velocidade da equipe\n\nA maior dor não era escrever o código uma vez; era mantê‑lo funcionando em todo lugar. Equipes precisavam de algo confiável, fácil de aprender e consistente o bastante para que novos desenvolvedores contribuíssem sem memorizar uma checklist de compatibilidade. jQuery surgiu como resposta a essa fricção diária.\n\n## A grande ideia: uma API pequena para tarefas comuns de UI\n\nA grande sacada do jQuery não foi uma nova capacidade do navegador — foi uma nova maneira de pensar sobre o trabalho cotidiano de UI. Em vez de escrever muito JavaScript específico para navegador só para encontrar um elemento, atualizá‑lo e ligar um evento, o jQuery condensou o rotineiro em um padrão simples: selecione algo, então faça algo com ele.\n\n### “Encontre, depois aja”\n\nNo centro está a função $(). Você lhe passa um seletor parecido com CSS (ou um elemento) e recebe um objeto jQuery — um wrapper fácil de usar ao redor dos elementos correspondentes.\n\nA partir daí, você chama métodos que soam como tarefas: adicionar uma classe, esconder um elemento, mudar o texto, anexar um handler de clique. A ideia não era expor todo detalhe de baixo nível; era cobrir os 80% das tarefas de UI que quase todo site precisava.\n\n### Encadeamento: menos variáveis, intenção mais clara\n\njQuery incentivou um estilo fluente onde cada etapa retorna o mesmo objeto jQuery, então você pode “encadear” ações em uma linha legível:\n\n```js$(".notice") .addClass("active") .text("Saved!") .fadeIn();
\nEsse hábito único reduziu bugs de timing em páginas típicas — não era mais preciso se perguntar se os elementos já existiam.\n\n### Manipulação do DOM que dava para memorizar\n\nA API do DOM do jQuery era propositalmente pequena e prática. Precisa atualizar conteúdo? ou . Precisa montar pedaços de UI? e . Precisa de estados visuais? , e .\n\nEm vez de lidar com diferenças entre , peculiaridades de atributos e métodos de nó inconsistentes, desenvolvedores podiam focar no que queriam alterar.\n\n### Efeitos que venderam a interação (às vezes em excesso)\n\nAnimações embutidas como , , e fizeram páginas parecerem mais vivas com esforço mínimo. Designers gostavam, stakeholders percebiam e tutoriais abundavam.\n\nO lado negativo: efeitos eram fáceis de exagerar — muitos fades e slides podiam deixar interfaces lentas ou apelativas. Ainda assim, para interações típicas (menus, acordions, notificações), jQuery baixou a barreira para “fazer ficar polido.”\n\nEntre eventos, mudanças no DOM e efeitos, a vitória real foi simplicidade: menos casos de borda no trabalho cotidiano e um conjunto compartilhado de padrões que equipes aprendiam rapidamente.\n\n## AJAX ficou acessível\n\nAntes do jQuery, “AJAX” soava como um truque: atualizar parte da página sem recarregar tudo. Em termos simples, é o navegador fazendo uma requisição em segundo plano, recebendo dados (frequentemente HTML ou JSON) e atualizando a página para que o usuário continue — sem interrupções.\n\n### De para uma linha\n\nA funcionalidade subjacente era , mas usá‑la diretamente significava muito código repetitivo: criar a requisição, observar seu estado, analisar respostas, lidar com peculiaridades de navegador e lembrar casos de borda.\n\njQuery envolveu essa complexidade em métodos auxiliares que pareciam ferramentas do dia a dia:\n\n- para controle total\n- / para requisições simples\n- para buscar HTML e injetar em um elemento\n\nEm vez de ligar handlers, montar query strings e fazer parse de resposta manualmente, você podia focar no que o usuário deveria ver a seguir.\n\n### Usos cotidianos que pareciam “modernos”\n\nPadrões desses rapidamente viraram normais em sites:\n\n- enquanto você digita (buscar uma lista pequena, renderizar abaixo do input)
jQuery importou porque transformou a programação do DOM, inconsistente entre navegadores, em um conjunto pequeno e previsível de ferramentas. Tornou tarefas do dia a dia — selecionar elementos, ligar eventos, alterar o DOM e fazer AJAX — repetíveis entre navegadores, o que aumentou a velocidade e a confiança das equipes.
Antes do jQuery, desenvolvedores lidavam rotineiramente com diferenças entre navegadores em:
XMLHttpRequest e muitos casos de borda)O custo real não era apenas escrever o código uma vez, mas mantê-lo confiável em todos os navegadores.
$() é a função central: você passa um seletor no estilo CSS (ou um elemento) e recebe um objeto jQuery que envolve os elementos correspondentes. Esse objeto expõe um conjunto consistente de métodos para que você "encontre, depois aja" sem se preocupar com quirks de navegador.
O encadeamento (chaining) funciona porque a maioria dos métodos do jQuery retorna o mesmo objeto jQuery após executar uma ação. Isso permite expressar uma sequência de operações de UI em um fluxo legível (selecionar → modificar → animar) com menos variáveis temporárias.
Sizzle é o motor de seletores por trás de $(selector). Ele forneceu comportamento consistente e suporte a seletores mais amplos numa época em que navegadores divergiam no que suportavam e em como interpretavam casos de borda.
jQuery normalizou tarefas comuns de eventos para que você não precisasse escrever ramificações específicas para cada navegador. Também popularizou padrões convenientes como executar código quando o DOM está pronto:
$(function () {
// safe to touch the DOM
});
Isso reduziu bugs relacionados a tempo em páginas típicas.
Os helpers de AJAX do jQuery envolveram as partes repetitivas de XMLHttpRequest e tornaram casos comuns fáceis:
$.ajax() para controle total$.get() / $.post() para requisições simples.load() para buscar HTML e injetar em um elementoIsso baixou a barreira para criar interfaces que parecem responsivas, mas ainda exigia tratamento apropriado de erros e feedback ao usuário.
Plugins estendiam o jQuery adicionando métodos (tipicamente em $.fn), de forma que funcionalidades podiam ser usadas como chamadas nativas do jQuery. Isso tornou fácil "colocar" capacidades comuns de UI (modais, validação, sliders) usando padrões familiares: seleção + objetos de opções + encadeamento.
jQuery decaiu principalmente porque os navegadores padronizaram as funcionalidades que antes ele disfarçava:
querySelector(All) reduziu a necessidade dos helpers de seleçãoaddEventListener() confiável reduziu inconsistências de eventosfetch() + async/await tornou o código de rede mais legívelCom o aumento da preocupação por tamanho de bundle e desempenho, incluir jQuery por algumas conveniências ficou mais difícil de justificar.
Não reescreva só por reescrever. Uma abordagem prática é:
jQuery costuma ser defensável em apps legados, temas/plugins antigos de CMS e pequenos ajustes quando já está presente na página.
\nMesmo sem entender a implementação interna, você conseguia entender a *história*: encontre avisos, marque‑os como ativos, defina a mensagem, mostre‑os.\n\n### Por que uma API pequena e consistente importava\n\nAntes do jQuery, desenvolvedores perguntavam constantemente: “Qual método funciona neste navegador?” ou “Esta propriedade tem nome diferente em versões antigas?” jQuery respondeu com um conjunto consistente de métodos e comportamento previsível. Iniciantes tiveram uma rampa suave em JavaScript sem serem esmagados por casos de borda. Profissionais ganharam velocidade: menos helpers customizados, menos hacks de compatibilidade e menos código para revisar.\n\n### Scripts focados em tarefas viraram norma\n\nPorque a API era compacta e os nomes dos métodos mapeavam intenções de UI, jQuery empurrou equipes para scripts mais fáceis de escanear. Em vez de chamadas DOM espalhadas e variáveis temporárias, você podia ler o código como uma sequência de ações de UI — fazendo o trabalho de front‑end parecer mais montar passos claros do que lutar com o navegador.\n\n## Seletores e Sizzle: “encontrar” ficou fácil\n\nUm dos truques mais persuasivos do jQuery foi tornar o primeiro passo de qualquer tarefa de UI trivial: selecionar os elementos certos. Em vez de lembrar métodos DOM específicos de cada navegador e suas peculiaridades, você podia escrever algo que parecia CSS e fazia sentido imediato.\n\n### Seletores CSS como modelo mental familiar\n\nDesigners e desenvolvedores já pensavam em seletores: “pegue todos `.button` dentro do header”, “alvo o primeiro item”, “encontre inputs de um certo tipo.” jQuery transformou esse modelo mental em uma ferramenta JavaScript:\n\n- `$(".nav a")` para trabalhar com links na navegação\n- `$("#signup-form input[type=email]")` para achar um campo específico\n- `$("ul li:first")` para lógica rápida do “primeiro item”\n\nEssa legibilidade reduzia o esforço de traduzir entre “o que eu quero” e “como o DOM quer que eu peça.”\n\n### O que o Sizzle fazia (e por que importava)\n\nPor trás de `$(selector)` estava o Sizzle, o motor de seletores do jQuery. Navegadores antigos não concordavam sobre como certos seletores deveriam se comportar, e alguns nem suportavam o conjunto completo. Sizzle oferecia uma interpretação consistente e comportamentos de fallback, então `$(".card > .title")` não virava uma loteria entre navegadores.\n\nO resultado foi produtividade real: menos ramos condicionais, menos “se IE então…” e menos tempo gasto depurando por que um seletor funcionou num navegador e noutro não.\n\n### Compromissos: conveniência vs. complexidade oculta\n\nO poder dos seletores também trouxe custos:
\n- Seletores caros podiam prejudicar performance, especialmente quando executados repetidamente (por exemplo dentro de handlers de scroll ou resize).\n- Ficava fácil sobre‑selecionar e “consertar depois” com encadeamento — código com aparência limpa que fazia mais trabalho do que parecia.\n- Confiar em seletores complexos às vezes encorajava um acoplamento forte do comportamento JavaScript à estrutura frágil do DOM.\n\nAinda assim, para o trabalho cotidiano de interface, "encontrar" ficou fácil — e essa mudança foi um motivo grande pelo qual jQuery parecia uma superpotência.\n\n## Eventos, mudanças no DOM e efeitos: a caixa de ferramentas diária\n\nPara muitos desenvolvedores, jQuery não era “uma biblioteca” — era o conjunto diário de ferramentas que você alcançava ao construir interações. Transformou trabalho comum de UI em poucas chamadas previsíveis, mesmo quando navegadores discordavam nos detalhes.\n\n### Eventos sem surpresas de navegador\n\nAntes do jQuery, ligar um handler de clique podia significar lidar com modelos de evento diferentes e casos estranhos. `.on()` do jQuery (e versões anteriores como `.bind()`/`.click()`) deu uma forma consistente de escutar ações do usuário como `click`, `submit` e entrada do teclado.\n\nTambém tornou “rodar isto quando a página estiver pronta” óbvio:\n\n```js
$(function () {
// safe to touch the DOM
});
.text().html()('<div>...</div>').append().addClass().removeClass().toggleClass()className.hide().show().fadeIn().slideToggle()XMLHttpRequestXMLHttpRequest$.ajax()$.get()$.post().load()$.fn. Para desenvolvedores, isso significava que você podia soltar uma funcionalidade e chamá‑la com o mesmo estilo que já usava para todo o resto.\n\n### Por que plugins se espalharam tão rápido\n\nA barreira de entrada era baixa. Se você conhecia jQuery, já entendia o padrão de plugin: selecionar elementos, chamar um método, passar opções.\n\nIgualmente importante, as convenções do jQuery faziam plugins parecerem consistentes, mesmo quando escritos por autores diferentes:\n\n- Nomeação: $('.menu').dropdown() lia como jQuery nativo.$('.btn').addClass('x').plugin().fadeIn().{ speed: 200, theme: 'dark' }, fácil de copiar e ajustar.
\n### Para que as pessoas os usavam\n\nPlugins cobriam o “meio que faltava” entre trabalho DOM cru e frameworks de aplicação. Categorias comuns incluíam sliders e carrosséis, validação de formulários, modais e lightboxes, seletores de data, autocomplete, tooltips e helpers para tabelas.\n\nPara muitas equipes, especialmente em sites de marketing ou dashboards administrativos, plugins transformavam semanas de trabalho de UI em um dia de montagem.\n\n### Os custos\n\nO boom de plugins teve um preço. A qualidade variava muito, a documentação podia ser escassa e combinar múltiplos plugins às vezes gerava conflitos de CSS ou handlers de evento. A proliferação de dependências também virou problema: uma funcionalidade podia depender de dois plugins, cada um com seu histórico de atualizações. Quando autores paravam de manter seus projetos, plugins sem manutenção podiam travar um projeto em versões antigas do jQuery — ou virar risco de segurança e estabilidade.\n\n## jQuery UI e jQuery Mobile: componentes para as massas\n\nO core do jQuery deixou o trabalho com o DOM previsível, mas equipes ainda tinham que montar peças de interface do zero. jQuery UI preencheu essa lacuna com um conjunto pronto de componentes — date pickers, dialogs, tabs, sliders, accordions, comportamento drag/sortable — empacotados para funcionar entre navegadores com pouco esforço. Para equipes pequenas e agências que entregavam muitos sites de marketing ou ferramentas internas, esse valor de “bom o suficiente, agora” era difícil de bater.\n\n### Por que jQuery UI era um atalho de produtividade\n\nO grande ganho não era só widgets — era a combinação de widgets com API consistente e theming. Você podia prototipar rapidamente adicionando um diálogo ou autocomplete e depois ajustar a aparência com o ThemeRoller em vez de reescrever marcação e padrões de CSS para cada projeto. Essa repetibilidade fez o jQuery UI parecer uma caixa de ferramentas prática, não apenas um conjunto de componentes.\n\n### A aposta do jQuery Mobile no web móvel inicial bagunçado\n\njQuery Mobile tentou resolver outro problema: smartphones iniciais tinham capacidades de navegador inconsistentes e suporte CSS limitado, e convenções de design responsivo ainda estavam se formando. Ele ofereceu componentes touch‑friendly e um modelo de navegação “single‑page” com transições AJAX, visando fazer uma base de código única se comportar de modo quase nativo.\n\n### Por que parte disso envelheceu mal\n\nÀ medida que padrões web melhoraram — CSS3, navegadores móveis melhores e controles nativos mais capazes — algumas dessas abstrações viraram custo em vez de benefício. Os widgets do jQuery UI podiam ficar pesados, mais difíceis de tornar acessíveis e complicados de alinhar com expectativas de design modernas. O reescritor de DOM e o modelo de navegação do jQuery Mobile também conflitaram com abordagens posteriores, como layouts responsivos e roteamento dos frameworks.\n\nApesar disso, ambos os projetos provaram uma ideia-chave: componentes UI reutilizáveis podem acelerar drasticamente a entrega no mundo real.\n\n## Como o jQuery mudou hábitos de codificação front‑end\n\njQuery não só fez navegadores se comportarem; ele mudou como o código front‑end “normal” parecia. Equipes começaram a escrever JavaScript diariamente, não apenas para páginas especiais, porque tarefas comuns de UI passaram a ser previsíveis.\n\n### APIs fluentes e o hábito do encadeamento\n\nUma das maiores mudanças culturais do jQuery foi popularizar o encadeamento: selecionar algo e continuar operando nele de forma legível.\n\n```js
$(".card")
.addClass("active")
.find(".title")
.text("Updated")
.end()
.fadeIn(200);\nEsse estilo fluente influenciou bibliotecas posteriores e até APIs nativas modernas. Também encorajou desenvolvedores a construir operações pequenas e compostas ao invés de funções monolíticas.\n\n### “Mais com menos código” (e os compromissos)\n\njQuery ofereceu helpers — `$.each`, `$.map`, `$.extend`, atalhos de AJAX — que tornaram tentador compactar lógica em menos linhas. Isso aumentou a velocidade, mas também incentivou one‑liners “espertos” e comportamentos implícitos difíceis de revisitar meses depois.\n\nMuitos codebases acabaram com lógica de negócio misturada diretamente em manipuladores de clique, porque era tão fácil “fazer ali mesmo”. Essa conveniência acelerou entregas, porém muitas vezes aumentou a complexidade de longo prazo.\n\n### Testes e depuração na era do DOM direto\n\nAntes de componentes e modelos de estado previsíveis serem comuns, apps com jQuery frequentemente armazenavam estado no DOM: classes, inputs ocultos e atributos data. Depuração significava inspecionar HTML vivo e seguir callbacks de eventos que podiam disparar em ordens surpreendentes.\n\nTestes unitários eram possíveis, mas equipes geralmente dependiam mais de QA manual e devtools do navegador. Problemas frequentemente eram relacionados a timing (animações, AJAX, bubbling de eventos), o que fazia bugs parecerem intermitentes.\n\n### Quando jQuery ficava limpo vs. quando virava emaranhado\n\njQuery tendia a permanecer manutenível quando equipes:
\n- mantinham queries do DOM próximas aos elementos afetados
- usavam funções pequenas e delegação de eventos
- tratavam plugins como blocos reutilizáveis
\nVirava emaranhado quando páginas acumulavam camadas de handlers, seletores repetidos por toda parte e “só mais um” ajuste dentro de um callback de animação. A biblioteca facilitava iteração rápida; a disciplina determinava se o resultado envelhecia bem.\n\n## Por que o jQuery diminuiu: os padrões amadureceram\n\njQuery não desapareceu da noite para o dia, e não “perdeu” porque piorou. Ele diminuiu porque a plataforma do navegador parou de precisar de um tradutor. Os problemas que o jQuery resolvia — APIs faltantes, comportamento inconsistente e fluxos de trabalho complicados — tornaram‑se menos comuns à medida que padrões amadureceram e navegadores convergiram.\n\n### O navegador começou a copiar as melhores partes\n\nConforme o DOM e as APIs JavaScript foram padronizados, muitas chamadas diárias do jQuery ganharam equivalentes diretos:
\n- Seleção de elementos: `document.querySelector()` e `document.querySelectorAll()` cobriram a maioria dos casos que antes exigiam `(...)`.
- Eventos: `addEventListener()` tornou‑se universalmente confiável, removendo grande parte do trabalho de compatibilidade de eventos.
- Requisições: `fetch()` (e depois `async/await`) tornou chamadas estilo AJAX nativas e legíveis.\n\nQuando a forma “nativa” é consistente entre navegadores, a razão de depender de um helper encolhe.\n\n### Performance e tamanho do bundle passaram a importar mais\n\nÀ medida que apps web cresceram de alguns widgets interativos para produtos completos, equipes começaram a medir tempo de carregamento e custo do JavaScript com mais rigor. Incluir jQuery (mais plugins) apenas por algumas conveniências passou a ser mais difícil de justificar — especialmente em redes móveis.\n\nNão é que jQuery fosse lento; é que “mais uma dependência” virou uma troca real. Desenvolvedores preferiam utilitários menores e focados — ou nenhum pacote quando a plataforma já resolvia.\n\n### SPAs mudaram o que significa “trabalho front‑end”\n\nFrameworks de aplicação single‑page deslocaram o foco de manipular o DOM manualmente para gerenciar estado e compor UI a partir de componentes. No pensamento React/Vue/Angular, você geralmente não pergunta à página “encontre este elemento e mude”. Você atualiza os dados, e a UI re‑renderiza.\n\nNesse modelo, os pontos fortes do jQuery — manipulação imperativa do DOM, efeitos e o wiring pontual de eventos — ficam menos centrais e, às vezes, desencorajados.\n\n### Uma avaliação justa: jQuery teve tanto sucesso que se tornou opcional\n\njQuery tinha a missão de tornar a web utilizável e consistente. À medida que os navegadores alcançaram esse objetivo, o jQuery ficou menos necessário — não menos importante. Muitos sites de produção ainda o usam, e várias APIs modernas (e expectativas de desenvolvedores) refletem lições que o jQuery ensinou ao ecossistema.\n\n## O legado: o que o jQuery deixou\n\njQuery já não é a escolha padrão para trabalho front‑end novo, mas ainda alimenta discretamente uma porção considerável da web — e sua influência está embutida na forma como muitos desenvolvedores pensam sobre JavaScript.\n\n### Onde o jQuery ainda aparece\n\nVocê costuma encontrar jQuery em lugares que priorizam estabilidade sobre reescritas:
\n- Apps corporativos legados construídos no auge do jQuery e que ainda funcionam bem
- Temas e plugins de CMS (especialmente em instalações antigas do WordPress)
- Scripts de “conserto rápido” em páginas de marketing: um slider aqui, um modal ali
\nSe você mantém um desses projetos, o ganho é previsibilidade: o código é compreensível, bem documentado e geralmente fácil de corrigir.\n\n### Ideias que sobreviveram à biblioteca\n\nFerramentas modernas não copiaram o jQuery linha a linha, mas absorveram seus melhores instintos:\n\n- **APIs ergonômicas**: realizar tarefas comuns com poucas chamadas legíveis
- **Seletores como conceito central**: “encontre elementos, depois aja” virou padrão
- **Extensibilidade**: a mentalidade de plugin vive em ecossistemas de pacotes e padrões de componentes
\nAté o JavaScript “puro” evoluiu (com `querySelectorAll`, `classList`, `fetch` e eventos melhores) refletindo problemas que o jQuery resolveu para desenvolvedores cotidianos.\n\n### O que aprender com o jQuery hoje\n\nA maior lição é pensamento de produto: uma API pequena e consistente, junto com ótima documentação, pode mudar a forma como toda uma indústria escreve código.\n\nTambém é um lembrete de que a experiência do desenvolvedor (DX) se acumula. Na era do jQuery, DX significava esconder quirks de navegador atrás de uma API limpa; hoje pode significar também encurtar o caminho da ideia ao software em execução. Por isso plataformas de vibe‑coding como **Koder.ai** fazem sentido para muitas equipes: em vez de montar boilerplate manualmente, você itera em uma interface de chat, gera um front‑end React com um backend Go + PostgreSQL (ou um app Flutter) e continua avançando — mantendo a opção de exportar o código‑fonte quando for preciso controle total.\n\n### Escolhendo a ferramenta certa hoje\n\n- Para **trabalhos novos**, prefira APIs DOM modernas e padrões nativos de frameworks.\n- Para **código jQuery existente**, não reescreva por princípio — refatore quando isso reduzir risco ou custo.\n- Para **comportamentos pequenos e pontuais**, JS puro geralmente basta; jQuery ainda pode ser um atalho pragmático se já estiver carregado.