Compare REST e gRPC para projetos reais: desempenho, ferramentas, streaming, compatibilidade e encaixe da equipe. Use um checklist prático para escolher com confiança.

Quando as pessoas comparam REST e gRPC, na verdade estão comparando duas formas distintas de software “conversar” pela rede.
REST é um estilo de design de API construído em torno de recursos — coisas que sua aplicação gerencia, como usuários, pedidos ou faturas. Você interage com esses recursos usando pedidos HTTP familiares:
GET /users/123)POST /orders)As respostas costumam ser JSON, que é fácil de inspecionar e amplamente suportado. REST tende a ser intuitivo porque mapeia bem com a web — e porque você pode testá-lo com um navegador ou ferramentas simples.
gRPC é um framework para remote procedure calls (RPC). Em vez de pensar em “recursos”, você pensa em métodos que quer executar em outro serviço, como CreateOrder ou GetUser.
Por baixo dos panos, o gRPC normalmente usa:
.proto) que pode gerar código cliente e servidorO resultado costuma se parecer com chamar uma função local — exceto que ela está rodando em outro lugar.
Este guia ajuda a escolher com base em restrições reais: expectativas de desempenho, tipos de clientes (navegador vs mobile vs serviços internos), necessidades em tempo real, fluxo de trabalho da equipe e manutenção a longo prazo.
Não existe uma resposta única. Muitas equipes usam REST para APIs públicas ou de terceiros e gRPC para comunicação interna entre serviços — mas suas restrições e objetivos devem guiar a escolha.
Antes de comparar recursos, fique claro sobre o que você está otimizando. REST e gRPC podem funcionar bem, mas brilham sob restrições diferentes.
Comece pelos clientes.
Na internet pública, você vai se preocupar com proxies, camadas de cache e compatibilidade com ferramentas diversas. REST sobre HTTP é amplamente suportado e tende a transitar por redes empresariais com mais previsibilidade.
Dentro de uma rede privada (ou entre serviços na mesma plataforma), você pode aproveitar o protocolo mais fechado do gRPC e a comunicação mais estruturada — especialmente quando você controla ambos os lados.
Pergunte como é o “tráfego normal”:
Se precisa de streaming (eventos, atualizações de progresso, feeds contínuos), considere isso desde cedo. Dá para montar padrões em cima de REST, mas o modelo de streaming do gRPC costuma ser mais natural quando ambos os lados podem suportá-lo.
Escolha o que sua equipe consegue entregar e operar com confiança. Considere padrões de API existentes, hábitos de depuração, cadência de releases e quão rápido novos desenvolvedores ficam produtivos. Um protocolo “melhor” que atrase a entrega ou aumente o risco operacional não é realmente melhor para seu projeto.
No nível do protocolo, REST e gRPC ambos se reduzem a “um cliente chama um servidor”, mas descrevem essa chamada de forma diferente: REST centra-se em recursos HTTP e códigos de status, enquanto gRPC centra-se em métodos remotos e um esquema estrito.
APIs REST tipicamente rodam sobre HTTP/1.1, e cada vez mais sobre HTTP/2 também. A “forma” de uma chamada REST é definida por:
/users/123)GET, POST, PUT, PATCH, DELETE200, 201, 400, 401, 404, 500, etc.Accept, Content-Type)O padrão típico é request/response: o cliente envia uma requisição HTTP, e o servidor retorna uma resposta com código de status, headers e corpo (frequentemente JSON).
gRPC sempre usa HTTP/2, mas não expõe “recursos + verbos” como interface primária. Em vez disso, você define services com métodos (como CreateUser ou GetUser) e os chama como chamadas remotas de procedimento.
Além do payload de mensagem, o gRPC suporta:
REST pergunta: “Em qual recurso você está operando, e qual verbo HTTP se encaixa?”
gRPC pergunta: “Qual método você está chamando, e qual mensagem tipada ele aceita/retorna?”
Essa diferença afeta nomenclatura, tratamento de erros (códigos HTTP vs status gRPC) e como os clientes são gerados.
.proto é o contrato. Define serviços, métodos e mensagens fortemente tipadas, permitindo geração confiável de código e regras de compatibilidade mais claras conforme a API evolui.Desempenho é uma das razões mais citadas para considerar gRPC — mas a vitória não é automática. A questão real é que tipo de “desempenho” você precisa: menor latência por chamada, maior throughput sob carga, menor custo de largura de banda ou maior eficiência do servidor.
A maioria das APIs REST usa JSON sobre HTTP/1.1. JSON é fácil de inspecionar, logar e depurar, o que é uma eficiência prática para equipes.
O trade-off é que JSON é verboso e exige mais CPU para parsear e gerar, especialmente quando payloads ficam grandes ou chamadas são frequentes. HTTP/1.1 também pode adicionar overhead de conexão quando clientes fazem muitas requisições paralelas.
REST também pode ser vantagem em arquiteturas de leitura intensiva: cache HTTP (via headers como ETag e Cache-Control) pode reduzir requisições repetidas dramaticamente — especialmente quando combinado com CDNs.
gRPC normalmente usa Protocol Buffers (binário) sobre HTTP/2. Isso costuma significar:
Esses benefícios aparecem com mais clareza em chamadas serviço-a-serviço com alto volume de requisições, ou quando você está movendo muitos dados dentro de um sistema de microserviços.
Em um sistema tranquilo, REST e gRPC podem parecer igualmente rápidos. As diferenças ficam mais evidentes quando a concorrência aumenta.
Diferenças de desempenho importam mais quando você tem chamadas internas de alta frequência, payloads grandes, restrições de banda em mobile ou SLOs rígidos.
Importam menos quando sua API é dominada por tempo de banco de dados, chamadas a terceiros ou uso em escala humana (dashboards administrativos, CRUD típico). Nesses casos, clareza, cacheabilidade e compatibilidade de clientes podem valer mais do que eficiência bruta do protocolo.
Recursos em tempo real — dashboards ao vivo, chat, colaboração, telemetria, notificações — dependem de como sua API lida com comunicação “contínua”, não apenas requisições pontuais.
REST é fundamentalmente request/response: o cliente pergunta, o servidor responde e a conexão termina. Você pode construir comportamento quase em tempo real, mas normalmente usando padrões ao redor de REST:
(Para web em tempo real, times frequentemente adicionam WebSockets ou SSE junto com REST; esse é um canal separado com seu próprio modelo operacional.)
gRPC suporta múltiplos tipos de chamada sobre HTTP/2, e streaming está integrado ao modelo:
Isso torna gRPC um ajuste forte quando você quer fluxo sustentado de mensagens com baixa latência sem criar novas requisições HTTP a todo momento.
Streaming é ideal para:
Streams de longa duração mudam como você opera sistemas:
Se “tempo real” é central ao seu produto, o modelo de streaming do gRPC pode reduzir complexidade comparado a empilhar polling/webhooks (e possivelmente WebSockets) sobre REST.
Escolher entre REST e gRPC não é só sobre velocidade — sua equipe viverá com a API todo dia. Ferramentas, onboarding e quão seguro você pode evoluir uma interface frequentemente importam mais que throughput bruto.
REST parece familiar porque usa HTTP puro e geralmente JSON. Isso significa que a caixa de ferramentas é universal: devtools do navegador, curl, Postman/Insomnia, proxies e logs legíveis sem visualizadores especiais.
Quando algo quebra, depurar costuma ser direto: reproduza uma requisição no terminal, inspecione headers e compare respostas lado a lado. Essa conveniência é um grande motivo para REST ser comum em APIs públicas e para times que esperam muito teste ad-hoc.
gRPC normalmente usa Protocol Buffers e geração de código. Em vez de montar requisições manualmente, desenvolvedores chamam métodos tipados na sua linguagem favorita.
O ganho é segurança de tipos e um contrato mais claro: campos, enums e formas de mensagem são explícitos. Isso pode reduzir bugs “stringly-typed” e desalinhamentos entre cliente e servidor — especialmente em comunicação serviço-a-serviço.
REST é mais fácil de pegar rapidamente: “envie um pedido HTTP para esta URL.” gRPC pede que novos membros entendam arquivos .proto, geração de código e às vezes fluxos de depuração diferentes. Times confortáveis com tipagem forte e esquemas compartilhados tendem a se adaptar mais rápido.
Com REST/JSON, gestão de mudanças muitas vezes depende de convenções (adicionar campos, depreciar endpoints, URLs versionadas). Com gRPC/Protobuf, regras de compatibilidade são mais formais: adicionar campos geralmente é seguro, mas renomear/remover campos ou mudar tipos pode quebrar consumidores.
Em ambos os estilos, a manutenibilidade melhora quando você trata a API como um produto: documente, automatize testes de contrato e publique uma política clara de depreciação.
Escolher entre REST e gRPC muitas vezes se resume a quem vai chamar sua API — e de que ambientes.
REST sobre HTTP com JSON é amplamente suportado: navegadores, apps mobile, ferramentas de linha de comando, plataformas low-code e sistemas parceiros. Se você está construindo uma API pública ou espera integrações de terceiros, REST minimiza fricção porque consumidores podem começar com requisições simples e depois adotar melhores ferramentas.
REST também se encaixa naturalmente com restrições web: navegadores lidam bem com HTTP, caches e proxies entendem, e depuração é simples com ferramentas comuns.
gRPC brilha quando você controla ambos os lados (seus serviços, apps internos, equipes de backend). Usa HTTP/2 e Protocol Buffers, o que pode ser grande vantagem para desempenho e consistência — mas nem todo ambiente consegue adotá-lo facilmente.
Navegadores, por exemplo, não suportam chamadas gRPC “completas” diretamente. Você pode usar gRPC-Web, mas isso adiciona componentes e restrições (proxies, tipos de conteúdo específicos e ferramentas diferentes). Para terceiros, exigir gRPC pode ser um obstáculo maior do que fornecer um endpoint REST.
Um padrão comum é manter gRPC internamente para comunicação entre serviços e expor REST externamente via um gateway ou camada de tradução. Isso permite que parceiros usem HTTP/JSON familiar enquanto seus sistemas internos mantêm um contrato tipado.
Se seu público inclui terceiros desconhecidos, REST costuma ser o padrão mais seguro. Se seu público são majoritariamente seus próprios serviços, gRPC geralmente é mais adequado.
Segurança e operabilidade são frequentemente onde “funciona numa demo” vira “difícil em produção”. REST e gRPC podem ser seguros e observáveis, mas se encaixam em padrões de infraestrutura diferentes.
REST normalmente roda sobre HTTPS (TLS). Autenticação costuma ser transportada em headers HTTP padrão:
Como REST usa semântica HTTP familiar, é fácil integrar com WAFs, reverse proxies e gateways que já entendem headers, paths e métodos.
gRPC também usa TLS, mas a autenticação é comumente passada via metadados (pares chave/valor semelhantes a headers). É comum adicionar:
authorization: Bearer …)Para REST, a maioria das plataformas tem logs de acesso prontos, códigos de status e tempo de requisição. Você pode avançar com logs estruturados mais métricas padrão como percentis de latência, taxas de erro e throughput.
Para gRPC, a observabilidade é excelente quando instrumentada, mas pode ser menos “automática” em algumas stacks porque você não está lidando com URLs simples. Priorize:
Setups comuns de REST colocam um ingress ou API gateway na borda, lidando com TLS termination, auth, rate limiting e roteamento.
gRPC funciona bem atrás de um ingress também, mas você frequentemente precisa de componentes que suportem HTTP/2 e recursos do gRPC. Em ambientes de microserviços, uma service mesh pode simplificar mTLS, retries, timeouts e telemetria para gRPC — especialmente quando muitos serviços internos se comunicam entre si.
Resumo operacional: REST normalmente se integra mais suavemente com ferramentas web padrão, enquanto gRPC brilha quando você está pronto para padronizar deadlines, identidade de serviço e telemetria uniforme em chamadas internas.
A maioria das equipes não escolhe REST ou gRPC no vácuo — escolhem o que se ajusta ao formato de seus usuários, clientes e tráfego. Esses cenários deixam as trocas mais claras.
REST é frequentemente a escolha segura quando sua API precisa ser amplamente consumível e fácil de explorar.
Use REST quando estiver construindo:
REST tende a brilhar nas bordas do seu sistema: é legível, amigável a cache em muitos casos e funciona bem com gateways, documentação e infraestrutura comum.
gRPC costuma ser mais adequado para comunicação serviço-a-serviço onde eficiência e contratos fortes importam.
Escolha gRPC quando você tiver:
Nesses casos, a codificação binária do gRPC e recursos do HTTP/2 (como multiplexação) frequentemente reduzem overhead e tornam o desempenho mais previsível conforme o tráfego interno cresce.
Uma arquitetura prática comum é:
Esse padrão limita as restrições de compatibilidade do gRPC ao seu ambiente controlado, enquanto ainda dá aos sistemas internos os benefícios de contratos tipados e chamadas eficientes.
Algumas escolhas causam dor no futuro:
/doThing e perder a clareza do design orientado a recursos.Se estiver inseguro, escolha REST para APIs externas e adote gRPC onde conseguir provar que ajuda: dentro da sua plataforma, em caminhos críticos ou onde streaming e contratos rígidos têm valor real.
Escolher entre REST e gRPC fica mais fácil quando você começa por quem vai usar a API e o que precisam realizar — não pelo que está na moda.
Pergunte:
curl, clientes gerados, documentação estável, SDKs.Escolha um endpoint representativo (não “Hello World”) e construa:
Meça:
Se quiser acelerar esse piloto, um fluxo de prototipagem pode ajudar: por exemplo, no Koder.ai você pode scaffoldar um pequeno app e backend a partir de um prompt de chat, então testar tanto uma superfície REST quanto um serviço gRPC internamente. Como o Koder.ai gera projetos reais (React para web, backends em Go com PostgreSQL, Flutter para mobile), é uma forma prática de validar não só benchmarks de protocolo, mas também a experiência do desenvolvedor — documentação, integração de cliente e deploy. Recursos como modo de planejamento, snapshots e rollback também são úteis ao iterar na forma da API.
Documente a decisão, as suposições (consumidores, tráfego, streaming) e as métricas usadas. Reavalie quando requisitos mudarem (novos consumidores externos, aumento de throughput, necessidades em tempo real).
Frequentemente sim — especialmente para chamadas serviço-a-serviço — mas não automaticamente.
gRPC tende a ser eficiente porque usa HTTP/2 (multiplexação muitas chamadas sobre uma conexão) e um formato binário compacto (Protocol Buffers). Isso pode reduzir CPU e banda comparado a JSON-over-HTTP.
O desempenho real depende de:
Se desempenho é objetivo-chave, faça benchmarks com endpoints e dados realistas.
Navegadores não conseguem usar gRPC “nativo” diretamente porque não expõem os recursos HTTP/2 em baixo nível que o gRPC espera.
Opções:
Se tiver muitos clientes em navegadores, REST costuma ser a escolha mais direta.
gRPC é projetado em torno de contratos Protobuf, geração de código e tipagem estrita. Você pode usar outros formatos, mas perderá muitos benefícios.
Protobuf ajuda quando você quer contratos claros, payloads menores e código cliente/servidor consistentes.
Para REST, abordagens comuns são /v1/ no caminho ou versionamento via headers; mantenha mudanças compatíveis sempre que possível.
Para gRPC, prefira evoluir mensagens de forma segura: adicione novos campos, evite renomear, e não reutilize números de campo removidos. Quando mudanças forem realmente breaking, publique um novo serviço ou nome de pacote (nova versão major).
REST costuma ser a opção padrão para APIs públicas porque praticamente qualquer cliente consegue chamá-la com HTTP e JSON simples.
Escolha REST se você espera:
curl/PostmangRPC costuma ser mais adequado quando você controla ambos os lados da conexão e quer um contrato fortemente tipado.
É uma escolha forte para:
Nem sempre. gRPC costuma vencer em tamanho de payload e eficiência de conexão (multiplexação HTTP/2 + Protobuf), mas o resultado fim-a-fim depende dos seus gargalos.
Faça benchmarks com dados realistas, porque o desempenho pode ser dominado por:
REST suporta naturalmente cache HTTP com cabeçalhos como Cache-Control e ETag, além de CDNs e proxies compartilhados.
gRPC normalmente não é tão amigável a caches padrão porque as chamadas são orientadas a métodos e muitas infraestruturas HTTP tratam-nas como não cacheáveis.
Se cache for um requisito-chave, REST geralmente é o caminho mais simples.
Navegadores não conseguem usar o gRPC “nativo” diretamente por causa de como o gRPC depende de recursos HTTP/2 que as APIs dos navegadores não expõem.
Opções comuns:
Se você tem muitos clientes em navegadores ou terceiros, REST é normalmente o caminho mais simples.
gRPC é projetado em torno de um esquema .proto que define serviços, métodos e tipos de mensagem. Esse esquema permite geração de código e regras claras de compatibilidade.
Tecnicamente você pode usar outras codificações, mas perderá muitos benefícios. Se quiser as vantagens principais do gRPC, trate Protobuf como parte do pacote.
REST normalmente comunica resultados via códigos de status HTTP (por exemplo, 200, 404, 500) e corpos de resposta.
gRPC retorna um código gRPC (como OK, NOT_FOUND, UNAVAILABLE) mais detalhes de erro opcionais.
Dica prática: padronize o mapeamento de erros cedo (incluindo erros retryable vs não retryable) para que os clientes se comportem de forma consistente entre serviços.
Streaming é um recurso de primeira classe no gRPC, com suporte embutido para:
REST é primariamente request/response; comportamentos em "tempo real" geralmente exigem padrões adicionais como polling, long polling, webhooks, WebSockets ou SSE.
Para REST, práticas comuns incluem:
/v1/... ou via cabeçalhosPara gRPC/Protobuf:
Sim — é uma arquitetura comum:
Um gateway ou backend-for-frontend pode traduzir REST/JSON para gRPC/Protobuf. Isso reduz a fricção para clientes enquanto preserva os benefícios de contrato e desempenho do gRPC internamente.